conecte-se conosco


BemRural

TRIGO/RETRO 2018: Apesar de maior produção, clima prejudica qualidade em 2018

Publicado

Clique aqui e confira o release completo em word.

Cepea, 11/01/2019 – O mercado de trigo iniciou 2018 com menor produção doméstica, grande volume importado e preços internos em alta, especialmente no Paraná e em São Paulo, de acordo com informações do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Esse cenário atraiu produtores e, com isso, a área em 2018 cresceu, mas o clima desfavorável prejudicou a qualidade do cereal desta temporada.

Para a colheita em 2018, a estimativa inicial da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), divulgada em março/18, previa produção de 4,66 milhões de toneladas, que acabou sendo reajustada meses depois para 5,53 milhões de toneladas. Já na estimativa divulgada em dezembro, a Companhia indicou a oferta interna um pouco menor, de 5,4 milhões de toneladas.

Vale lembrar que, entre agosto/17 e julho/18 (safra 2017/18), houve redução na área de semeio, devido à menor atratividade da cultura, queda de produtividade e oferta interna reduzida. Assim, a produção nacional colhida em 2017 foi a mais baixa desde 2012, ainda de acordo com dados da Conab, sendo necessário manter elevada as importações, que alcançaram 6,39 milhões de toneladas no período. Somando os estoques inicias da safra 2017/2018, a produção e as importações, a disponibilidade interna ficou em 13,18 milhões de toneladas, enquanto o consumo recuou 4,6%, a 10,9 milhões de toneladas. Nem mesmo o menor uso do trigo foi suficiente para conter a queda nos estoques finais da temporada 2017/18 e, consequentemente, iniciais da 2018/19.

No primeiro semestre de 2018, período de entressafra argentina, a forte alta do dólar encareceu as importações de trigo e sustentou os preços no Brasil. Em junho/18, as cotações estaduais atingiram os maiores patamares nominais da série do Cepea, iniciada em janeiro de 2004. Em termos reais, as médias mensais foram as maiores desde outubro/13 para os estados do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. Em Santa Catarina, os preços foram, em junho, os maiores desde maio de 2014, em termos reais.

Leia mais:  BOI/CEPEA: Setor aposta em aquecimento da demanda interna em 2019

Já no segundo semestre, a oferta interna e os bons estoques das indústrias fizeram com que os preços caíssem, movimento que persistiu até outubro. De outubro a dezembro, compradores, preocupados com a possibilidade de novas altas nas cotações no início de 2019, estiveram ativos, sustentando os valores, principalmente no último mês do ano.

No balanço anual, os preços do trigo no mercado de balcão (ao produtor) no Rio Grande do Sul e no Paraná subiram 31,8% e 34,7%, respectivamente. No mercado de lotes (negociação entre empresas), as altas no Rio Grande do Sul, Paraná e em São Paulo foram de 35,1%, 24,4% e 29,9%, na mesma ordem.

Apesar de a paridade de importação ter se mantido elevada em boa parte do ano, a oferta restrita do grão brasileiro de boa qualidade manteve as aquisições aquecidas. De agosto/17 a julho/18 (ano-safra 2017/18), as compras de trigo somaram 6,39 milhões de toneladas, de acordo com a Secex – do volume total adquirido, praticamente 90% tiveram como origem a Argentina. Em 2018, de janeiro a dezembro, foram importadas 6,82 milhões de toneladas.

DERIVADOS – Para os derivados de trigo, o ritmo de negócios foi lento em 2018. Empresas realizaram compras aos poucos, devido às incertezas quanto à qualidade da matéria-prima e às dificuldades de repasse dos custos aos produtos finais.

No entanto, os valores das farinhas registraram expressivas altas. No primeiro semestre, a valorização esteve relacionada à menor oferta de trigo, elevando o custo dos derivados. Para o segundo semestre, agentes reduziram as cotações dos produtos em alguns segmentos, com o intuito de manter a atratividade e a liquidez das comercializações.

De acordo com o IBGE, na parcial de 2018 (até novembro), o esmagamento de trigo diminuiu 4% e, no acumulado dos últimos 12 meses, 4,4%. Vale considerar que, em 2017, o processamento de trigo teve redução de 5,4%, ainda segundo o Instituto.

De modo geral, o preço para aquisição das farinhas ficou, em média, duas vezes maior que o do grão. Entre 28 de dezembro de 2017 e 28 de dezembro de 2018, a cotação média da farinha para massas frescas subiu 28,01%; para pré-mistura, 26,63%; integral, 26,14%; panificação, 26,31%; bolacha salgada, 6,65%; massas em geral, 30,88%; e bolacha doce, 9,72%.

Leia mais:  UVA/CEPEA: Safra de uvas finas termina em São Paulo

No mercado de farelo de trigo (ensacado e a granel), as cotações registraram movimentos distintos no decorrer do ano. Nos primeiros meses de 2018, mesmo com a demanda aquecida, moinhos cederam aos pedidos de compradores para preços menores. A partir da segunda metade do ano, os valores dos farelos apresentaram altas expressivas, devido ao baixo volume de moagem e às altas cotações de milho em algumas praças. De 28 de dezembro de 2017 a 28 de dezembro de 2018, os preços do ensacado se elevaram 24,67% e os do a granel, 21,66%.

INTERNACIONAL – Os preços nas bolsas norte-americanas encerraram o ano registrando fortes elevações. Esse cenário se deve à menor oferta mundial, aos estoques domésticos em baixa e às maiores exportações norte-americanas. No acumulado de 2018 (de 28 de dezembro de 2017 a 28 de dezembro de 2018), o primeiro vencimento do trigo Soft Red Winter negociado na CME Group avançou 19,8%, e na Bolsa de Kansas, os futuros do trigo Hard Winter se valorizaram 16,1%.

Na Argentina, apesar da produção recorde, os preços atingiram patamares elevados. Segundo a Bolsa de Cereales, as exportações devem ser expressivas, com vendas antecipadas. Os preços FOB no porto de Buenos Aires subiram 31,6% no ano.

Mundialmente, a produção somou 763,06 milhões de toneladas de trigo na safra 2017/18, 1% acima de 2016/17. O consumo foi de 744,16 milhões de toneladas, contribuindo para elevação dos estoques, que passaram a ter relação com o consumo na ordem de 35,5%, contra 34,2%, segundo dados do USDA divulgados em dezembro/18.


ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações podem ser obtidas por meio da Comunicação do Cepea: (19) 3429 8836 / 8837 e [email protected]

Comentários Facebook
publicidade

BemRural

Para representante do Brasil na FAO, novo diretor terá desafio de atender demandas de países ricos e em desenvolvimento

Publicado

por

A partir de agosto deste ano, Qu Dongyu, atual vice-ministro da Agricultura e dos Assuntos Agrários da China, assumirá o cargo de diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) pelos próximos quatros anos. Com apoio do Brasil, ele foi eleito nesse domingo (23) com 108 votos dos 191 países votantes, vencendo a candidata Catherine Geslain-Lanéelle (França), que teve 71 votos; e o candidato da Geórgia, Davit Kirvalidze, com 12 votos.

Para o representante permanente do Brasil na FAO, embaixador Fernando Abreu, os principais desafios do novo diretor-geral serão: atender as demandas dos países com um orçamento cada vez mais enxuto da FAO e aliar as expectativas de nações ricas e em desenvolvimento. Em entrevista, o embaixador também destacou que inovação é caminho para produção de alimentos de boa qualidade de forma sustentável. 

“Os países desenvolvidos têm maior interesse na elaboração de normas e procedimentos na área de agricultura e alimentação. Já os países em desenvolvimento têm maior interesse na cooperação técnica entre os países do Sul, mas também na cooperação triangular e interesse em áreas em que as normas são negociadas e depois deveriam ser implementadas nos seus países”, disse.

Na avaliação do embaixador, o Brasil continuará atuante nos próximos quatro anos, já que o país é uma potência agrícola, rico em recursos genéticos e detém políticas de segurança alimentar que podem ser replicadas em outras nações. Dongyu irá suceder o brasileiro José Graziano da Silva, que ficou na diretoria-geral nos últimos oito anos e encerrará o segundo mandato em julho.

Leia mais:  Embrapa e Secretaria do Mapa realizarão novos estudos de zoneamento agrícola para o NE

“Acho que o Brasil continuará tendo um interesse permanente na FAO, porque independe da presença e da nacionalidade de um diretor-geral, pois ele segue as diretrizes que a conferência e o conselho determinam. Evidentemente tem alguma margem de atuação, mas não é ele quem determina as orientações e os horizontes da FAO, e sim os países-membros, que são 194, que por regra de consenso determinam os programas e os projetos a serem implementados”.

Fernando Abreu ressaltou que a inovação no campo é fundamental para melhoria das práticas e aumento da produtividade da agricultura mundial.

“Gostaria de ressaltar as palavras da ministra Tereza Cristina na sua intervenção na conferência, que reforçou a importância da inovação. Se não houver inovação, hoje não teríamos recursos para implementarmos políticas e desenvolvermos técnicas para atender a demanda de alimentos. E não só a produção de alimentos é relevante, mas a produção de alimento de boa qualidade. É importante que os alimentos hoje tenham boa qualidade e que sejam produzidos de forma sustentável”, destacou.

Em discurso nesta segunda-feira (24) na 41ª Conferência da FAO, em Roma, a ministra Tereza Cristina defendeu o fim do protecionismo dos países ricos e a regulação do comércio internacional agrícola e de alimentos com base em princípios científicos. Tereza Cristina destacou que, graças à inovação, o Brasil alcançou crescimento significativo no setor agropecuário nas últimas décadas.


Mais informações à imprensa:
Coordenação-geral de Comunicação Social
[email protected]

Fonte: MAPA GOV
Comentários Facebook
Continue lendo

BemRural

CITROS/CEPEA: Preço da laranja sobe no mercado de mesa

Publicado

por

Cepea, 24/06/2019 – O maior recebimento de laranjas contratadas pelas indústrias paulistas tem reduzido o volume no mercado de mesa e elevado os preços, conforme indicam pesquisadores do Cepea. Na semana passada, a pera foi negociada a R$ 18,25/cx de 40,8 kg, na árvore, em média, alta de 3,3% frente ao período anterior. Para a lima ácida tahiti, o controle proposital da colheita ainda tem sustentado os preços da variedade, apesar da baixa demanda interna. Na semana passada, o valor médio foi de R$ 14,64/cx de 27 kg, colhida, avanço de 7,3% em relação ao anterior. Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br

Fonte: CEPEA
Comentários Facebook
Leia mais:  Seis novos adidos agrícolas assumem postos no exterior até o fim do ano
Continue lendo

Polícia

Mato Grosso

Política MT

Mais Lidas da Semana