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Live promovida pelo TSE debate desinformação no processo eleitoral

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Desinformação no processo eleitoral. Esse foi o tema da segunda live da série “Diálogos Democráticos”, transmitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta segunda-feira (29), no canal da Corte o YouTube e em todas as suas redes sociais. A iniciativa reúne especialistas para um bate-papo virtual sobre temas relativos às eleições.

O debate desta segunda-feira, conduzido pelo presidente do Tribunal, ministro Luís Roberto Barroso, teve como convidados a jornalista Cristina Tardáguila, criadora da Agência Lupa; o biólogo e youtuber Atila Iamarino; e o deputado federal Felipe Rigoni (PSB-ES), um dos autores do projeto de lei de combate à desinformação na internet.

Durante a live, assistida por 25.350 pessoas, os convidados abordaram o fenômeno da desinformação no dia a dia da sociedade, com ênfase no impacto das notícias falsas nos processos democrático e eleitoral brasileiros, e na vida das pessoas.

A live é uma das ações do Programa de Enfrentamento à Desinformação com Foco nas Eleições 2020, instituído pelo TSE em agosto de 2019 para combater os efeitos negativos provocados pelas informações falsas no processo eleitoral brasileiro. O programa conta com dezenas de instituições parceiras, entre partidos políticos e entidades públicas e privadas que buscam fortalecer a segurança da informação na internet.

Em seu discurso de posse, o ministro Barroso enfatizou o compromisso da Justiça Eleitoral em assegurar a democracia brasileira e a preocupação da Corte com campanhas de desinformação, de difamação e de ódio na internet. “As mídias sociais, as plataformas de internet, os veículos de imprensa e a própria sociedade são os principais atores no enfrentamento da desinformação”, disse o ministro.

Definição

Na abertura do debate, Barroso citou o impacto das fake news nas eleições americanas e sobre o Brexit, no Reino Unido, e convidou os participantes a definirem o conceito de fake news. Atila Iamarino respondeu que há uma diferença entre notícia falsa, falta de informação e difusão de conceitos errados.

Cristina Tardáguila concordou, lembrando a rede internacional de checagem de informações falsas da qual faz parte, a International Fact-checking Network (IFCN), que agrega mais de 100 plataformas em pelo menos 45 países. “Precisamos entender que as fake news englobam muitos aspectos e são um problema complexo. Muitos países que sofrem com isso já avançaram nessa definição de fake news, mas com significados apropriados para as suas realidades, como a Tailândia e a Indonésia. A inexistência de uma definição no Brasil está levando o assunto para o lado da censura e da privação de liberdade de expressão, algo que o senhor ministro temia e citou em seu discurso de posse”, lembrou.

Felipe Rigoni disse que considera essa definição uma tarefa difícil, e que, mais importante do que a própria definição, é combater as ferramentas pelas quais são difundidas as notícias falsas. “Devemos também diferenciar as fake news amadoras das profissionais. Essa distinção é fundamental. A nossa proposta de projeto de lei foi conduzida para mitigar os efeitos das fake news na sociedade”, disse o deputado.

O projeto de lei que trata do combate à desinformação, de autoria dos deputados Tabata Amaral (PDT-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES), tramita na Câmara dos Deputados. O texto é idêntico ao de outra proposta (PL 2630/20), em tramitação no Senado, de autoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Consequências

Ao conduzir o segundo bloco do debate, o ministro Barroso, ressaltou que a circulação de notícias falsas pode ter consequências deletérias. “É preciso ter cuidado com o combate às fake news para não atingirmos a liberdade de expressão. Devemos encontrar mecanismos para o controle do comportamento em relação às informações falsas e não do conteúdo em si. O foco do TSE está na atuação profissional acerca da difusão de falsas informações, de forma deliberada para obter ganhos ilegítimos”, ressaltou.

O ministro lembrou que o Tribunal promoverá uma grande campanha voltada para a sociedade sobre os riscos da difusão de mensagens falsas, lembrando da importância da checagem dos conteúdos. “O combate às fake news é um tema prioritário do TSE”, reforçou Barroso.

Para Atila Iamarino, é preciso fazer uma diferenciação entre as fake news que são nocivas e as que não são. “Agora, durante a pandemia da Covid-19, foi divulgada, no Irã, uma informação falsa de que o consumo de metanol evitaria a doença. Mais de mil pessoas morreram no país pelo consumo de metanol”, exemplificou o biólogo.

Cristina Tardáguila também citou algumas notícias falsas e o impacto delas em alguns países. Sobre a pandemia, ela disse que já foram checadas pelo instituto mais de 7 mil notícias falsas em 43 idiomas, difundidas em dezenas de países.

Na opinião de Felipe Rigoni, existem três grandes eixos de atuação para amenizar os efeitos das fake news: identificar e combater as organizações que produzem e disseminam as informações falsas de forma profissional; mitigar as ferramentas que são usadas para se espalhar a desinformação, que são os robôs e as contas falsas; e enfrentar a informação falsa com mais informação, sempre dando transparência às ações utilizadas.

Combate

O terceiro bloco do debate abordou a educação do cidadão a respeito do tema. De acordo com o presidente do TSE, a desinformação não é um fenômeno novo, mas ganhou impulso com a popularização das redes sociais em razão do compartilhamento de conteúdos falsos ou sem fonte confiável. Para ele, identificar e combater a disseminação de fake news é um desafio que envolve toda a sociedade.

O ministro lembrou que a ciência se confronta permanentemente com o status quo desde Galileu, quando ele escreveu que a Terra girava em torno do Sol e não o contrário. “O que é certo, justo e verdadeiro sempre prevalecerá um dia. É preciso ter paciência e determinação. Na verdade, há uma grande quantidade de fake news que são bobagem, inócuas, mas existem fake news graves, distantes da realidade, em um contexto que precisamos da verdade. Devemos fazer um esforço conjunto para criar uma cidadania responsável, não passando aquilo adiante indistintamente”, afirmou.

Cidadania

Cristina Tardáguila concordou com o ministro e lembrou da experiência do Instituto Nacional Eleitoral do México (INE) – órgão análogo ao Tribunal Superior Eleitoral brasileiro -, que, em 2018, combateu as fake news com excesso de informação e um fluxo extremamente conectado, unindo mesários, checadores, imprensa, partidos, população e plataformas sociais. “Isso fez com que a lisura do processo eleitoral de 2018 no país não fosse questionada. Devemos sufocar a desinformação com excesso de informações verdadeiras e de várias fontes”, disse a jornalista.

Felipe Rigoni falou que o projeto de lei proposto por ele sobre o tema tira “a gasolina da desinformação porque consegue trabalhar nas ferramentas de difusão, diminuindo a força delas. Daí vem o papel de educação da população. Precisamos ensinar às pessoas a questionarem e a não repassarem informações sem checá-las”. Rigoni lembrou ainda que dá muito mais trabalho convencer uma pessoa depois que ela já foi convencida por uma fake news do que combater as notícias falsas.

Acesso

Todos os convidados e o ministro foram unânimes em afirmar que a educação da população em relação ao uso da internet deve ser realizada de forma construtiva, porque o combate passa necessariamente por dar mais acesso e mais informação à sociedade.

O ministro Barroso destacou que vem conversando com representantes das plataformas digitais para que possa ser feito um trabalho conjunto para encontrar alguma solução para situações extremas, em que informações falsas e graves são passadas como verdadeiras nos processos eleitorais.

Ao final da live, os convidados enfatizaram também o papel da imprensa profissional e das empresas checadoras. “A imprensa vive não só de alcance, mas também da sua reputação e, por isso, tem um compromisso diferente com o que propaga”, disse Atila Iamarino.

Encerrando sua participação, Cristina Tardáguila citou as quatro plataformas de checagem que existem no Brasil. Ela destacou que, atualmente, são apenas cem checadores profissionais atuando e que a demanda é enorme, o que dificulta o trabalho.

Felipe Rigoni finalizou sua participação dizendo estar esperançoso com a aprovação do projeto de lei, pois ele vem sendo construído há mais de dois meses, buscando o consenso acerca do assunto fake news. “Desta forma, esperamos trazer soluções importantes para essa questão e avanços importantes em relação ao assunto”, concluiu.

Finalizando mais uma edição dos “Diálogos Democráticos”, o ministro agradeceu aos participantes e ao público presente. “Saio do debate altamente instruído. Que a gente possa se dar o direito da divulgação da verdade. Precisamos encontrar, juntos, mecanismos de superação e avanços da população em relação à difusão de notícias falsas. Enquanto isso não chega, devemos travar o bom combate e, levantar o bom debate, já ajuda. Saio desse debate mais iluminado e mais inspirado”, afirmou.

A live de hoje pode ser assistida no canal da Justiça Eleitoral no YouTube.

MM/LC, DM

 

Fonte: TSE

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Flagrante de uso de drogas pode ser lavrado por autoridade policial somente na ausência de juiz

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Flagrante de uso de drogas pode ser lavrado por autoridade policial somente na ausência de juiz

O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a autoridade policial pode lavrar Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e requisitar exames e perícias em caso de flagrante de uso ou posse de entorpecentes para consumo próprio, desde que ausente a autoridade judicial. Por maioria de votos, o colegiado julgou improcedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3807, ajuizada pela Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol-Brasil) contra dispositivos da Lei de Drogas (Lei 11.343/2006).

A associação argumentava, entre outros pontos, que a lei conferia aos juízes poderes inquisitivos, com violação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, em confronto com as competências das Polícias Federal e Civil.

Despenalização

Na sessão virtual encerrada em 26/6, a maioria dos ministros acompanhou o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, que explicou que, de acordo com o parágrafo 3º do artigo 48 da Lei de Drogas, a autoridade policial, em relação a quem adquirir, guardar ou transportar droga para consumo pessoa, pode lavrar o flagrante e tomar as providências previstas na lei “se ausente a autoridade judicial”. Segundo a relatora, presume-se que, presente a autoridade judicial, cabe a ela a adoção dos procedimentos, até mesmo quanto à lavratura do termo circunstanciado. Em qualquer dos casos, é vedada a detenção do autor. Essa interpretação, a seu ver, é a que mais se amolda à finalidade dos dispositivos, que é a despenalização do usuário de drogas.

De acordo com o procedimento previsto na norma, o autor do crime deve, de preferência, ser encaminhado diretamente ao juízo competente, se disponível, para que ali seja lavrado o termo circunstanciado de ocorrência e requisitados os exames e perícias necessários. Esse procedimento, segundo a ministra, afasta a possibilidade de que o usuário de drogas seja preso em flagrante ou detido indevidamente pela autoridade policial. “As normas foram editadas em benefício do usuário de drogas, visando afastá-lo do ambiente policial quando possível e evitar que seja indevidamente detido pela autoridade policial”, destacou.

A ministra ressaltou ainda que, ao contrário do que alegado pela Adepol, o dispositivo não atribuiu ao órgão judicial competências de polícia judiciária, pois a lavratura de TCO não configura ato de investigação, mas peça informativa, com descrição detalhada do fato e as declarações do condutor do flagrante e do autor do fato.

Ressalva

Os ministros Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes acompanharam a relatora, com a ressalva de que, do ponto de vista constitucional, a lavratura do termo circunstanciado pela autoridade judicial não é medida preferencial em relação à atuação da autoridade policial, mas, na prática, medida excepcional.

Repartição de competências

Único a divergir, o ministro Marco Aurélio votou pela procedência do pedido e pela inconstitucionalidade da norma. Para ele, a lavratura do termo circunstanciado compreende atividade investigatória privativa dos delegados de polícia judiciária, e delegá-la a outra autoridade viola a repartição de competências prevista na Constituição Federal.

SP/AS//CF

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13/10/2006 – Delegados de Polícia pedem inconstitucionalidade do Sisnad

Fonte: STF

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Ex-secretária do Trabalho do RS tem condenação mantida por propaganda eleitoral em material didático

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Em sessão virtual de julgamento realizada ontem (9/7), a 2ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), por maioria, negou provimento a uma ação rescisória ajuizada pela ex-secretária do Trabalho, Cidadania e Assistência Social do Estado do Rio Grande do Sul Neusa Maria de Azevedo, e manteve a condenação dela em um processo por improbidade administrativa.

Ela havia sido enquadrada na Lei de Improbidade Administrativa (Lei n° 8.429/92) pela distribuição de material didático com conteúdo político-partidário em período eleitoral. O caso ocorreu em 2002, quando ela era a titular da pasta no governo de Olívio Dutra.

Histórico do processo

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou a ação civil pública de improbidade contra a ex-secretária em 2007. A acusação era de que, em setembro de 2002, às vésperas das eleições presidenciais, ela teria permitido propaganda política favorável ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em materiais didáticos distribuídos a participantes de um programa do governo para qualificação e aperfeiçoamento profissional.

As cartilhas faziam parte de um convênio firmado com o Ministério do Trabalho e Emprego, no âmbito do Plano Nacional de Qualificação do Trabalhador, e foram distribuídas a mais de 3 mil alunos da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação (FTIA-RS) e da Escola Sindical Sul da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Neusa Azevedo foi absolvida da acusação de improbidade pela 6ª Vara Federal de Porto Alegre em 2013, que entendeu pela ausência de dolo na conduta dela.

Essa decisão de primeira instância foi reformada pela 4ª Turma do TRF4 em recurso de apelação do MPF. O entendimento que prevaleceu na Corte foi de que houve desvio de finalidade por parte da ex-secretária. A condenação transitou em julgado em 2018.

Condenação mantida

Neusa Azevedo recorreu ao TRF4 com uma ação rescisória requerendo a anulação da decisão judicial que a condenou. A alegação da defesa dela era de que a elaboração das cartilhas não estava a cargo da ex-secretária, o que impossibilitaria sua responsabilização e a consequente condenação por improbidade.

A ação foi julgada improcedente por cinco votos a um pela 2ª Seção do Tribunal, órgão colegiado formado pelos desembargadores da 3ª e da 4ª Turma da Corte e que são responsáveis por julgar processos de Direito Administrativo.

Para a desembargadora federal Vânia Hack de Almeida, que proferiu o voto vencedor, apesar de não ser imputável à Neusa a responsabilidade pela confecção das cartilhas, a ex-secretária possuía poderes para impedir a veiculação do material.

A magistrada apontou que Neusa descumpriu lei eleitoral e teve conduta ímproba ao “fazer ou permitir uso promocional em favor de candidato, partido político ou coligação, de distribuição gratuita de bens e serviços de caráter social custeados ou subvencionados pelo Poder Público”, conforme estabelece a lei que dispõe sobre as normais eleitorais.

Nº 5043572-39.2018.4.04.0000/TRF

Fonte: TRF4

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