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06/03/2018 12:10

Cuiabanidade

Em 1987 meu pai preocupado com o que viria a ser o conteúdo de um neologismo, -CUIABANIA- que ensejava uma série de críticas infundadas e injustas à Cuiabá e aos cuiabanos, partidas de recém chegados que supõe conhecer a cidade e seus filhos nativos, resolveu publicar estas crônicas com um único intuito, o de fornecer informações que possam servir a um juízo mais correto de Cuiabá e de cuiabanos e nunca, sustentar qualquer polemica.

SENTIMENTO DE CUIABANIDADE

Perguntaram à ele o que entendia por “cuiabania”.

Respondeu que sinceramente não sabia. Dizia ele que para os cuiabanos de sua geração, que isso era um neologismo nascido há pouco sem que soubesse onde nasceu e nem seu significado. Se à ele perguntassem o que entendia por cuiabania, responderia que é a região geográfica habitada pelos cuiabanos.

Pelo que tinha observado, pretendiam alguns interpretar por CUIABANIA, um presumível posicionamento bairrista de alguns cuiabanos com características de segregação grupal, de hostilidade aos que vem de fora e com objetivos de conservar intocáveis alguns hábitos e maneira de falar.

Dizia que se alguém pensava que isso existiria, deveria estar morando em outro planeta.

A característica mais saliente da sociedade cuiabana   sempre foi a hospitalidade. Dizia meu pai, que não conhecia lugar algum em que os forasteiros eram recebidos com maior afetividade e calor humano do que nesta cidade do Senhor Bom Jesus, mesmo que uns poucos retribuam essa recepção com menosprezo e manifestações hostis.

Traço marcante da gente cuiabana, a hospitalidade, está no sangue e não podemos nos modificar. Nisso o cuiabano se assemelha ao carioca e ninguém conseguira jamais fazer do comunicativo carioca um sisudo e inabordável paulistano.

Os mestres paulistas Leovegildo de Mello, Gustavo Kulmann, e Briene de Camargo que para cá vieram no governo Pedro Celestino para orientar a reforma do ensino em Mato Grosso, afeiçoaram-se à terra que ao fim de suas missões, nenhum deles regressou a suas cidades, todos se casaram com cuiabanas, se integraram à terra que lhes retribuiu com afeto com inúmeras homenagens, inclusive dando seus nomes ilustres a ruas e escolas.

Quem foi mais cuiabano do que os Fortunatos, os Ricci, os Fava, os Miraglia, os Gaetas, os Tenutas, os Lotufos, os Laraya, os Mayolinos, os Boabaides, os Mansur, os Gattas, os Ayoubs, os Affi, os Biancardini, os Haddad, os Maluf, os Feguri e centenas de outros?

Estas famílias ajudaram e muito Cuiabá chegar aos seus trezentos anos.

Se todo o Brasil admira e aplaude o povo gaúcho pelo culto de sua história e de suas tradições, não sei por que se deva condenar o povo cuiabano por pretender fazer o mesmo. 

EDUARDO PÓVOAS- PÓS GRADUADO PELA UFRJ.


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