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11/12/2017 09:58

"É extremamente errado usar o tantra para vender sexo"

Especialista afirma que massagem não é erótica e nem se trata de sexo

A primeira coisa que vem à cabeça quando se fala em massagem tântrica é o sexo. Logo se imagina um quarto escuro e alguém tocando as partes íntimas, prometendo os melhores orgasmos, com o intuito de apenas e somente dar prazer. Isso, porém, não representa a realidade. Pelo contrário.

 

A massagem tântrica, como o próprio nome já diz, vem do tantra, que é uma cultura indiana de séculos, que passava ensinamentos e práticas especiais, com o intuito de proporcionar às pessoas o que pode ser chamado de “experiência oceânica”.

 

No entanto, hoje em dia o tantra não traz mais uma explicação clara de seus benefícios extraordinários. Como consequência disso, ocorre a distorção, vulgarização e a banalização do sexo, como é visto hoje em falsos mestres que “vendem” o ideal do tantra como uma espécie de jogo de sedução.

 

A reportagem do MidiaNews conversou com o mestre e especialista em massagem tântrica, Thiago Gopi, de 31 anos, que explicou detalhadamente no que a massagem pode ser benéfica. Ele ainda afirmou categoricamente que não tem absolutamente nada a ver com o sexo.

 

De acordo com Thiago – que tem o tantra como ideal de vida –, a massagem não é um conjunto de terapia para a pessoa ter apenas mais prazer e orgasmos. Segundo ele, a massagem proporciona uma “visão sistêmica”, que oferece aos praticantes um modelo de interação com outros organismos biológicos e outros sistemas de vida "multidimensionais e pluridimensionais", que na prática resume-se a uma descarga neuromuscular, liberadora de grande proporções de energia, que pode também ser proporcionada por meio de orgasmos convencionais.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Thiago Gopi

Thiago Gopi, tem o Tantra como ideal de vida há quatro anos

“No tantra a gente trabalha o corpo, trabalha a energia e trabalha de certa forma a espiritualidade. Ele é baseado nos primeiros estímulos dessa visão original. Isso já existia há mais de 3 mil anos antes de Cristo. Apesar de que o formato da massagem hoje não tem nenhum registro de como se iniciou”, disse.

 

Thiago explicou que a relação ao sexo vulgarizado, vendido como “implícito” é nada mais que a dificuldade das próprias pessoas em separar o que seria estímulos corporais dos estímulos sexuais.

 

“A relação ao sexo é porque se trata de uma massagem realizada no corpo todo, incluindo genitais, e aí já começa a dificuldade das pessoas em separar o que seria estímulos corporais e estímulos sexuais. O ocidental tem muita dificuldade em assemelhar coisas. Ele quer sempre sublimá-las. Por isso que eu falo: até o yoga, que tem todo um repertório e ideal, falando até alimentação e comportamento, a gente sublimou em exclusivamente práticas corporais e em posturas. O tantra foi sublimado para sexualidade, porque lida também com a energia sexual, mas é “também” e não “só”.

 

“Então para gente fica muito sublinhado porque somos preguiçosos, não gostamos muito de história, teoria. Nós vemos a prática e já se cria os conceitos ou preconceitos. Ficou muito vendido a parte prática da coisa, que apenas é realmente um toque corporal, inclusive genital”, explicou.

 

O especialista ainda ressalta que é extremamente errado assemelhar a massagem tântrica com uma massagem erótica.

 

“É uma associação que algumas pessoas fazem de usar o rótulo tantra para vender sexo. Mas esse rótulo existe desde que o mundo é mundo. As 'massagistas' – que mexem com sexo – , existem muito antes do tantra chegar aqui”.

 

A verdadeira massagem tântrica

 

chacras

Cada um desses chacras tem um nome, no qual se é trabalhado durante a massagem

A verdadeira massagem tântrica trata-se de permitir ampliar a capacidade de liberação e de expansão da energia, agregando com isso a experiência, um novo estado de percepção de vida e consciência.

 

Ela tem como foco principal liberar o chamado “kundalini”, que é um fenômeno bioelétrico, dito ser uma corrente elétrica que fica concentrada na base da coluna, que é um termo para energia vital ou criadora.

 

Conforme Thiago, a ascensão dessa energia só é liberada quando o corpo equilibra e regula todos os chacras, que são os centros de energia distribuídos pelo corpo.

 

Cada um desses chacras tem um nome, no qual se trabalha durante a massagem: coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, gástrico, esplênico e básico.

 

O especialista, que atende pessoas a partir de 21 anos, afirma que os resultados são "esplêndidos", trazendo não somente, mais vontade de viver, como mais ânimo para levar a vida com mais sabedoria.

 

“É uma ascensão de energias, é um trabalho enérgico e a ponte para isso é a utilização da energia sexual. E essa energia na sexualidade é o que a gente usa para tudo na vida, não só para o sexo. A  ascensão dessa energia dentro do nosso corpo regula e equilibra todos os chacras, que a gente fala como se fosse um a regulagem completa. Seria como se você levasse um carro para dar uma geral e ele voltasse ‘zero bala’”, contou.

 

Etapas da massagem

 

Apesar de o nome ser massagem tântrica, não é necessariamente sempre feito uma massagem na pessoa que procura pelos serviços.

 

Conforme Thiago, também acontece de os que procuram pelos seus serviços, necessitem apenas de uma meditação. Mas não é aquela meditação de sentar no chão e ficar de olhos fechados, pensando na vida.

 

“A meditação pode ser feita ouvindo uma música, em que a pessoa dança e libera as tensões e expressa conscientemente emoções e sentimentos reprimidos”, disse.

 

A massagem é divida em três etapas. A primeira é o bate-papo com o mestre, onde é contado o problema ou onde pretende melhorar, a segunda é onde é realizado a massagem ou uma meditação e por fim vem a integração, onde a pessoa é deixada em repouso para absorver todo o processo.

 

Toda as etapas duram em média entre 1h à 2h.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Thiago Gopi

“Não se trata de sexo, mas sim de um processo energético"

 

“Essas percepções de prazer que a energia causa acabam disparando muitos hormônios benéficos pelo corpo, como oxitocina, endorfina dopamina, e isso é distribuído de forma muito grande, então as pessoas tendem a lidar com mais prazer e felicidade o seu dia a dia. Isso é comprovado biologicamente”, explicou.

 

Preconceito

 

Mesmo tentando veementemente quebrar os tabus e preconceitos contra a massagem tântrica, o profissional afirma que tem ficado cada vez mais difícil combatê-los.

 

“Ainda existe muito preconceito sim, e ele existe por causa do conceito, porque as pessoas não têm o conceito formado do que é o tantra. Essa diferenciação de lidar com a sexualidade e não com o erótico gera um tabu. Quando falamos do tantra as pessoas acham que já sabem o que é. Nas não sabem, ficam com aquele conceito já formado, essa é a pior via que a gente enfrenta”.

 

Para piorar, ainda há barreiras dos que se intitulam terapeutas para simplesmente ganhar dinheiro com a massagem vendida apenas para proporcionar prazer sexual.

 

“Ainda há muitas pessoas que se intitulam “terapêuticos”, que só  falam de massagens sexuais, de orgasmos. Aí fica difícil as pessoas pensarem em outra coisa, né? A mídia também fala isso. Então, como um leigo vai separar uma coisa da outra?”, reclamou o profissional.

 

“Não se trata de sexo, mas sim de um processo energético. É muito difícil porque, além de pessoas terem um conceito já deturbado, existem pessoas que praticam isso de forma deturbada e incentivam outras pessoas a terem esse tipo de concepção. Mas também há as pessoas que viram o tantra como uma via de vender outra coisa, levando esse rótulo. Aí complica muito mais”, contou.

 

A casa de massagem tântrica de Thiago Gopi fica localizada no Bairro Boa Esperança. Para mais informações podem entrar em contato pelo número (65) 98125-8417.

Midia News.


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